Para registrar uma situação de assédio no trabalho, anote cada episódio o quanto antes. A cartilha do Ministério Público do Trabalho (MPT) sobre violência e assédio moral recomenda anotar dia e hora, local ou setor, quem praticou a conduta, quem testemunhou e o conteúdo das conversas; vale incluir o que aconteceu depois. Você não precisa concluir por conta própria se houve assédio: a anotação organiza a memória e ajuda a explicar a sequência a quem for avaliar.

Pontos principais

  • Anote cada episódio com data, hora, local ou setor, o que foi dito ou feito e quem presenciou.
  • Separe o que você viu e ouviu da sua interpretação e indique o que é resumo.
  • Guarde mensagens com o contexto, incluindo as suas respostas, sem editar o original.
  • O MPT recebe denúncias, mas não presta consultoria jurídica: para o seu caso, procure sindicato, advogado ou núcleo de prática jurídica.
Conteúdo
  1. O que anotar em cada episódio
  2. Um exemplo fictício
  3. Mensagens, e-mails e arquivos
  4. Onde levar o registro no Brasil
  5. Checklist por data
  6. Perguntas frequentes

O que anotar em cada episódio

  • Quando: dia, mês, ano e hora. Se não tiver certeza, escreva “por volta de”.
  • Onde: local, setor ou canal — reunião, ligação, WhatsApp, e-mail.
  • O que aconteceu: palavras exatas entre aspas; se não forem exatas, indique que é um resumo.
  • Quem: quem disse ou fez e quem estava presente.
  • Depois: sua resposta, pedidos de esclarecimento e o que mudou no trabalho, como tarefas, escala ou acesso a sistemas.

Registre também quando escreveu a nota. Como você se sentiu pode ir em uma linha separada dos fatos observados. Se lembrar de algo depois, acrescente com a data do complemento, sem reescrever a nota original.

Um exemplo fictício

Exemplo inventado; não se refere a pessoas ou empresas reais.

  1. “12/08/2026, por volta das 9h40, reunião de equipe com seis pessoas: a coordenadora disse, na frente de todos, que meu relatório era ‘coisa de amador’. Não respondi.”
  2. “12/08/2026, 14h10, WhatsApp: perguntei quais pontos do relatório deveria corrigir. Sem resposta até o fim do expediente (print guardado).”
  3. “19/08/2026, 8h30, e-mail da coordenação: meu nome saiu da escala do projeto, sem explicação. Nota escrita no mesmo dia, às 21h.”

As notas descrevem o que foi visto e ouvido, sem supor intenções.

Mensagens, e-mails e arquivos

Guarde apenas o que pode manter de forma legítima. Nos prints, deixe visíveis data, hora e remetente, e inclua as suas respostas para não perder o contexto. Mantenha os originais sem edição e escreva as explicações à parte. Não acesse contas de outras pessoas nem copie documentos sigilosos da empresa. Se pensar em gravar uma conversa, verifique as regras aplicáveis e considere avisar a outra pessoa. Não publique o registro nas redes sociais.

Se preferir reunir tudo no iPhone, o Kirokune, aplicativo de download gratuito, guarda no mesmo caso, em ordem de data, notas com o campo “Quando aconteceu”, gravações e fotos — como os prints. Os registros ficam no aparelho, com bloqueio por Face ID ou código e sem cadastro; o app não mantém um backup próprio na nuvem (se o backup do iPhone estiver ativado no iCloud ou no computador, os registros entram nele). Guarde também os originais à parte.

Onde levar o registro no Brasil

A cartilha do MPT lista vários caminhos: os canais internos da empresa (canal de denúncias, RH ou ouvidoria), a CIPA e o SESMT (serviço de segurança e medicina do trabalho), o sindicato, o Ministério do Trabalho e Emprego, o próprio MPT — inclusive pela denúncia online, escolhendo a unidade do seu estado — e os Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest). Também é possível buscar assistência jurídica, inclusive pelo sindicato, para uma ação na Justiça do Trabalho.

Segundo a cartilha, o MPT atua na defesa de interesses coletivos: a partir de uma denúncia, pode abrir procedimentos e inquéritos, firmar um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com a empresa ou ajuizar ações na Justiça do Trabalho. Isso não significa que alguém passará a cuidar do seu caso individual: a Ouvidoria do MPT informa que o órgão não pode prestar consultoria jurídica e indica advogados especializados, sindicatos e núcleos de prática jurídica de faculdades de Direito.

Checklist por data

  1. No mesmo dia: anote o episódio e a hora em que escreveu.
  2. Nos dias seguintes: guarde mensagens e e-mails ligados ao episódio, sem editar.
  3. Ao relatar a alguém: anote a data, o canal e o número de protocolo, se houver.
  4. A cada resposta: registre a data e o que foi dito ou decidido.
  5. Antes de uma consulta: separe os episódios principais em ordem de data.

Se houver perigo imediato, priorize a sua segurança e procure os serviços de emergência locais; não é preciso terminar o registro para pedir ajuda. Anotações com data e hora ajudam a explicar a sequência dos fatos; a avaliação cabe ao canal, ao órgão ou ao profissional que você procurar.

Perguntas frequentes

O que anotar em caso de assédio moral no trabalho?
Para cada episódio: dia e hora, local ou setor, quem praticou a conduta, quem presenciou e o conteúdo das conversas, que são os detalhes que a cartilha do MPT recomenda anotar. Vale incluir também o que aconteceu depois e quando você escreveu a nota.
Preciso gravar uma conversa para registrar assédio?
Não. Uma anotação com data e hora já é um começo. Se pensar em gravar ou compartilhar uma gravação, verifique as regras aplicáveis à sua situação e considere avisar a outra pessoa.
O MPT dá orientação jurídica sobre o meu caso?
Não. A Ouvidoria do MPT informa que é vedado ao órgão prestar consultoria jurídica ou esclarecer dúvidas trabalhistas. Para orientação individual, ela indica advogados especializados, sindicatos e núcleos de prática jurídica de faculdades de Direito.

Fontes

Caderno aberto para organizar uma linha do tempo de incidentes no trabalho

Kirokune ajuda você a manter um registro. Não faz diagnósticos, não determina os fatos nem oferece orientação jurídica.